domingo, junho 29, 2008

“...o amor não é humano.”

by.Queiroz

É difícil ver alguém que não se comova ao ver em filmes máquinas que demonstram ter valores esquecidos pelas pessoas. Talvez essa “bobagem”, torna-se compreensível, pois as pessoas que hoje são capazes de se comunicar com qualquer pessoa no mundo através da Internet, talvez não olhem para o lado para ver como está o mundo em sua volta. Você é capaz de conversar com uma pessoa que está ao seu lado olhando para um monitor. Voltando aos filmes, 3 ótimos exemplos de filmes que demonstram que as máquinas podem chegar lá:


O homem bicentenário


O Robin Willians deveria só fazer drama. Sério. Quando o Robin Willians faz aquela cara de desolação não há quem não se convença. Em “O homem bicentenário” ele está bem à vontade para fazer isso. Claro que não é algo automático (ã,ã, sentiu o trocadilho?), pois em boa parte do filme Andrew, seu personagem tem a aparência de um robô, e à medida que o tempo passa vai desenvolvendo uma personalidade. Obstinado vai a busca de “semelhantes” que tenham desenvolvido também uma personalidade. Até que encontra Galatea criação do cientista Rupert Burns (Oliver Platt), alguém que o ajuda a chegar o mais perto possível de se tornar um ser humano. Mas, não seria um homem de verdade se não se apaixonasse por uma mulher e eis Portia (Embeth Davidtz), para exercer esse papel. Querendo ter reconhecido seu casamento com Portia, tenta obter isso judicialmente, mas é visto como algo intolerável o envolvimento de um robô com uma mulher. Demora 100 anos para o reconhecimento ocorrer. E só aos 200 anos é reconhecido como o homem mais velho do mundo e morre ao lado da mulher amou. Eu elogiei o Robin Willians fazendo drama, mas nem todo mundo compartilha da minha opinião tendo em vista que recebeu uma indicação à Framboesa de Ouro, na categoria de Pior Ator. E a indicação ao Oscar desse filme foi apenas de Melhor Maquiagem. Fazer o que...


A.I.


Se “O homem bicentenário” retrata o quanto as máquinas podem chegar a um dia serem confundidas e aceitas como um de nós, A.I. do nosso caro Steven Spielberg, fala do extremo oposto abordando o tema rejeição. Haley Joel Osment é David, um Meca, que é adotado pelo casal Henry Swinton (Sam Robards) e Mônica Swinton (Frances O'Connor), com a intenção de superarem o fato que seu filho único Martin estar em coma. Quando o filho se livra de seu estado vegetativo e volta à casa de seus pais, a “vida” de David deixa de ser aquela maravilha. O destaque do filme fica por conta de Jude Law interpretando o Gigolô Joe. Pena muito grande é que não tenha o Gigolô Joe nenhum contato com a Mônica, aí poderia gerar um rol de discussões muito mais profundas, mas também estragar o seu imaculado (e chato) final. A insistência na tecla do Pinóquio, que dá uma matada no filme. É simplesmente um dos filmes mais tristes que já vi. Depois do filme a exemplo de todo mundo, falei pra mim mesmo: “Mãe!!”


WALL-E


“O Homem bicentenário” e “A.I.” são sobre robôs que querem ser reconhecidos como seres humanos. Já na obra dirigida e roteirizada por Andrew Stanton, os robôs Wall-E e Eva aceitam de bom grado suas prioridades, mas podem dar uma paradinha para dar uma paquerada, enquanto os seres humanos abandonaram o lixão que se tornou o planeta Terra para viver numa nave espacial, de forma sedentária cativando corpos rechonchudos diante de suas telas, não olhando para os lados. Talvez soasse por demais antipático criticar por assim dizer a parcela nerd rechonchuda que vai assistir a esse filme, mas Andrew Stanton morde mas assopra de forma bem convincente fazendo n referencias a paixões nerds como o n.°5 de Um robô em curto circuito, Jornada nas Estrelas, e até 2001 do Kubrick. Sobre os dados técnicos, um primor a fotografia do filme, e o que mais me cativou foram as cenas em que eles ficavam no escuro, fazendo em belo contraste dos olhos luminosos de Eva. Realmente sensacional. O filme acaba sendo um retrato bem humorado da atualidade, abordando a poluição e a moda do sedentarismo, e o romance dos robozinhos vai fazer os filhos perguntarem o mesmo que um garotinho na sessão que eu fui: “Tá chorando pai?”. Pois é, em tempos em que vemos filmes sobre máquinas que demonstram ter valores esquecidos pelas pessoas, não será difícil que daqui a alguns anos a gente acredite com 100% de certeza que o amor não é humano.

3 Comments:

Anonymous andré Ortiz said...

Bem legal o post queiroz, eu estou ansioso pra assistir WALL-E...

Abração

5:05 PM  
Blogger looT said...

Eu gosto do A.I. acho um belo filme, ficou foi sempre a curiosidade em saber como seria se fosse feito por Kubrick. A.I. ia ser os eu próximo filme caso não tivesse morrido. Mas Spielberg fez um excelente trabalho, como é costume.

Abraço

8:15 PM  
Anonymous QUEIROZ said...

Eu tb fico imaginando. Talvez Kubrick se preocupasse mais com a linguagem, do que propriamente fazer um filme com efeitos especiais hiper sofisticados como fez o Spilberg. Seria demais. E tenho dúvidas se o final do Spilberg é realmente o final do Kubrick.

8:49 PM  

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