segunda-feira, março 02, 2009

O casamento de Rachel

by.Queiroz



Dia de casamento é sempre aos sábados, mas eu curti O casamento de Rachel no Domingo. Eu que sou Flamengo tive que sair de São Gonçalo e ir até o Arteplex de Botafogo assistir, pois os cinemas perto da minha casa não estão exibindo o filme. Mas, foi um prazer pois além de gostar do bairro, de lambuja comprei o disco Hightway 61 Revisited do Bob Dylan a preço de banana, e estou escutando ele ao escrever esse texto. Mas, voltando, que motivo tem um homem para assistir a um filme de casamento? Não, que eu resguarde esses machismos, mas casamento é assunto de interesse feminino, o que é bem verdade. No entanto o filme tem Anne Hathaway, o que estimula qualquer marmanjo a entrar na sala escura. Além que eu ouvi falar antes de entrar na sala que era uma Festa Ronca Ronca filmada, aí não dava para perder de jeito nenhum. Acho que a Julia Roberts deve ser olhar no espelho e dizer: “Espelho, espelho meu, existe atriz mais bela do que eu?”. Bem, a Branca de Neve no caso é Anne Hathaway sem dúvida. Fazendo comparações injustas, ou não, monto o meu primeiro paralelo com o filme de outra musa de Hollywood. É muito fácil comparar a Kym (Anne Hathaway) com a Gwen (Sandra Bullock) de 28 dias. A estória de ambas envolve vício como também o casamento de uma irmã. A diferença começa, talvez pelo fato de que Gwen (Sandra Bullock), busca a recuperação após o casamento da irmã, e a Kym (Anne Hathaway), já “se recuperou” antes da cerimônia. Na verdade Kym (Anne Hathaway), ainda não recebeu alta, mas em virtude ao casamento de sua irmã Rachel, foi dar uma passada em casa. Um dos maiores clichês que envolvem esse tipo de estória é que a irmã, no caso, a Rachel (Rosemarie DeWitt), é perfeita, como são todas as irmãs nessas estórias em que existe uma irmã desajustada. A única fraqueza aparente que ela apresenta é o fato de ter ciúme do fato de toda a atenção de sua família ter sido voltada para a sua irmã desajustada, o que não combina com uma mulher que resolveu se casar com um músico, está prestes a ter um “casamento hindu” e vai morar no Hawaii. Por outro lado, o pai (Bill Irwin) e a mãe (Debra Winger), apresentam características mais interessantes. O pai (Bill Irwin) é super protetor com a Kym (Anne Hathaway), independente de todo o seu terrível histórico, e parece ter sempre serenidade em manter o controle da situação. Já a mãe (Debra Winger), consciente dos problemas familiares, parece querer realmente manter a sua distância segura de tudo que ocorre na família, não se incomodando inclusive de a nova mulher de seu ex-marido (Anna Deavere Smith), cuidar melhor dos preparativos da festa de casamento de sua filha. Assim como no caso da Rachel (Rosemarie De Witt) não há muito espaço também para Sidney (Tunde Adebimpe, vocalista do Tv on the radio), mostrar a que veio, é o noivo e só. Destaque apenas fica por conta de sua capela, cantando uma música do Neil Young, na hora da cerimônia de casamento. Já o Kieran (Mather Ziquel), interesse romântico de Kym, demonstra características mais interessantes no papel do ex-viciado, que em certo ponto do filme serve como um porta voz da Kym (Anne Hathaway), de forma para justificar seu comportamento desajustado ao reencontrar a família. Referências interessantes no filme são as relativas a clássicas bandas de rock presentes no quarto da Kym (Anne Hathaway), com vários pôsteres de Sex Pistols, The Who, Misfits, e até o que ela fala ao sair da clínica dizendo que Rachel (Rosemarie DeWitt) e sua amiga Emma (Anisa George) são tão manipuladoras quanto o Hannibal, de certo o Lecter de Silêncio dos Inocentes filme também dirigido por Jonathan Demme. Eu gostei do filme no seu apecto handcam, que em outras obras me deixa de mal humor, e o drama familiar, no entanto faltou força no roteiro para sabermos porque a irmã saidinha (Rachel) se deu bem na vida, e a filhinha do papai (Kym), se ferrou. Perguntas sem respostas incomodam muito nesse filme. Uma delas é a que Kym (Anne Hathaway) faz a sua mãe, em certo ponto importante da película, cuja resposta não satisfaz. Se você gostar de filme de casamento pule para o 3.º ato quando alugar em DVD, principalmente a festa que é um excelente guia para quem pretende ter uma festa de arromba no casamento, mas se curtir dramas familiares, O casamento de Rachel é uma obra deveras interessante.

7 Comments:

Anonymous Rodrigo said...

Bem colocada tua análise sobre as relações familiares da família de Rachel. Mas nada disso me fez gostar mais do filme. Para mim, "O Casamento de Rachel" vale pela interpretação surpreendente de Anne Hathaway. De resto, achei tudo muito enfadonho. Falou!

2:46 PM  
Anonymous QUEIROZ said...

Eu gostei bastante do filme. Eu queri que tivesse mais uns 15 minutos para a festa, eu queria mais festa no final, pq tava muito bom nessa parte.

Valeu Rodrigo.

8:43 AM  
OpenID luzdeluma said...

Hum...o que tem Julia Roberts com o filme? Beijus

8:41 PM  
Anonymous QUEIROZ said...

É que a Julia Roberts já foi considerada a mulher mais bonita de hollywood, namoradinha da América, e hoje em dia é Anne Hathaway. Mas, não deixando minha piadinha trapalhões de lado, a Julia é uma Noiva em Fuga. Turumm tchiii!!!

Beijos Luma

11:31 PM  
OpenID luzdeluma said...

hahahaha nunca iria pensar nisso!! E fiquei pensando em histórias infantis! Bom fim de semana! Beijus

9:52 AM  
Blogger Valter A. Rodrigues said...

Ô, Queiroz, o fato de Kim ser responsável, ainda que mais ou menos involuntária, pela morte do irmão pode ser uma razoável razão para ter se ferrado, não? Culpa, auto-comiseração etc. produzem o caldo dos sofrimentos e fracassos dos humanos...

9:41 AM  
Anonymous QUEIROZ said...

Mas, tem uma questão Valter. A morte do irmão, que é um spoiler que eu não quis incluir no texto, foi uma consequencia das m#rdas que a Kim já fazia. Na cena em que a Kim pergunta a mãe, pq ela deixou o filho dela com uma adolescente drogada, eu queria pelomenos que no filme alguém dissesse que a mãe tinha um amante ou coisa parecida. Talvez o filme de certa forma seja bom, pq fica mais palpável e real, pq como disse o Rodrigo do blog Paradoxo, é com se o telespectador estevesse vendo a filmagem do casamento de pessoas que ele não conhece. É complexo, sabe. Uma coisa que não disse é que o trailer é tão injusto com a Kim quanto a família dela. Pois, é uma estória de alguém que está voltando do fundo do poço e precisa ser aceita.

Claro isso também é uma questão de ponto de vista.

Obrigado por ler o texto.

12:10 AM  

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