segunda-feira, julho 21, 2008

Batman – The Dark Knight

by.Queiroz



Finalmente assisti ao filme mais esperado do ano, eis aqui minhas impressões:

RACHEL


Primeiro as damas: Rachel (Katie Holmes) de Batman Begins era uma workaholic, com cara de braba que dava tapa na cara do herói, para ele deixar de ser moleque. A Rachel (Maggie Gyllenhaal) de The Dark Knight é alguém que leva a sério seu trabalho com certeza, enamorada com o promotor público Harvey Dent, e extremamente sexy, coisa que a durona Rachel do primeiro filme não era, apesar de linda. A Rachel nesse filme deixou de ser a namoradinha do Batman, mas não perdeu sua importância na trama. Mas, mesmo assim a 1.ª Rachel que dá base aos olhares, diálogos entre ela e Bruce Wayne. A 1.ª Rachel participou da melhor cena de ação do primeiro filme, digo aquela em que ela está envenenada com o gás do medo e o Batman acelera com o bat-móvel . Essa é mais mocinha, e infelizmente não vai estar no próximo filme. Vou sentir falta da Rachel, mas Selina Kyle pode vir com tudo.


BRUCE WAYNE




Não tem nenhuma cena antológica como a do Bruce Wayne (Christian Bale) briaco mandando embora os convidados de seu aniversário. Mas a linha que separa o Batman e Bruce Wayne ficou muito mais tênue. Assim como a gente acredita que o fanfarrão Tony Stark é capaz de construir seus brinquedos maravilhosos, nesse filme fica claro que o que faz do Bruce Wayne o Batman não é simplesmente a roupa. Até a cena do lamborghini que no trailer parece idiota, no filme está entre uma das melhores. E claro, o verdadeiro Bruce, continua com suas cicatrizes de guerra urbana, e ouvindo os bons conselhos do Alfred.

ALFRED

Alfred (Michael Caine) sempre foi contrário à idéia de seu patrão de sair por aí vestido de morcego dando porrada em bandidos. Mas, o Alfred é sem dúvida a base para o homem por trás da máscara. Sempre tem uma boa estória para contar e é bom dar atenção aos seus conselhos. Pois, não ouvi-lo pode ser fatal. E não só isso, o Alfred é muito engraçado.


LUCIUS FOX

O gênio da tecnologia que fazia piadinhas sonsas em Batman Begins de não saber os hábitos noturnos de seu patrão. Se no primeiro Lucius Fox (Morgan Freeman) só fazia os brinquedos, nesse ele participa da ação, mesmo que seja só intelectualmente. E é dono da melhor piada do filme.


HARVEY DENT

Harvey Dent (Aaron Eckhart) é o que o Bruce Wayne gostaria de ser: Um herói que não precisa usar uma máscara, lutando dentro das regras. Um homem elegante e apaixonado, mas não se engane. Por trás da imagem pomposa se esconde alguém que se você apontar uma arma ele vai tomar de você e te dar um murro na cara, e dizer o tipo de arma, ano de fabricação e nacionalidade. O Cavaleiro Branco de Gothan.


CORINGA

Eu li pessoas chamando de pálida a versão de Jack Nicholson para o Coringa, perto da versão de Heath Ledger. Eu creio que a de Jack seja ótima, mais fiel à versão dos quadrinhos, caindo nos produtos químicos, com seu gás do riso que faz a pessoas terem o mesmo sorriso que ele. E convenhamos que a falta de fidelidade aos quadrinhos já rendeu muita dor de cabeça aos nerds. É uma versão apaixonada e com base nos quadrinhos, mas que não ultrapassa nenhuma linha. Já a de Heath Ledger quebra todas as regras mesmo as do próprio Coringa. Que mané gás do riso? O cara usa um punhal mesmo. Que produto químico, o que? O cara pinta a cara por vontade própria para fazer seu circo de horror. Ledger não é só o Coringa nesse filme, ele é Hannibal Lecter, Jigsaw, Mr.Glass, é Kevin Spacey em Se7en. Mas, não é uma versão completamente destoada dos quadrinhos, por exemplo, A piada mortal, clássico das grafic novels, é muito bem citada na trama. Você acredita nele numa cena, e na seguinte descobre que ele contou uma mentira. E isso tudo faz parte do plano.


GORDON

Ele é um espetáculo à parte. Se Nolan dirigisse: Gordon Begins, eu veria com certeza. Um bastião de honestidade da corporação, o antes sargento, tenente e agora Comissário Gordon (Gary Oldman), chegou aonde chegou pela pura competência. Seu aliado de luta contra o crime Harvey Dent, talvez não entenda, por que Gordon se faz de cego em relação aos que saem da linha na corporação. Mas, Gordon está lá para somar. O Alfred é o melhor amigo de Bruce Wayne, mas o melhor amigo do Batman é o Comissário Gordon.



BATMAN

Finalmente, um filme onde há um equilíbrio entre o herói e o vilão. Tim Burton amava os vilões, e esquecia o protagonista. Dessa vez não, tanto o Batman (Christian Bale) quanto o Coringa, conseguem cada um a sua maneira conduzir os outros personagens da trama. No confronto, os dois perdem e ganham ao mesmo tempo. Não há vitória de um lado em detrimento do outro. Os dois nunca vão mudar. Como o próprio Coringa diz, o vilão só existe por causa do herói. Ele agora já não se considera mais o símbolo que pensava ser no primeiro filme. O homem que usava o próprio medo para assustar seus inimigos, agora teme ver a mulher que ama terminar nos braços de outro e no seu combate a violência acaba atiçando mais violência. Crê que Harvey possa ser um substituto à altura. Mas, não joga a fantasia numa lata de lixo da rua. Preocupa-se em armar bem o terreno para a substituição. Se tornando até mais violento. Não que ele quebre sua única regra: Não matar. É até um privilégio assistir as cenas que ele consegue resolver as coisas de forma "limpa", caindo na porrada para não perder o costume, mas fazendo isso de maneira magistral. Como disse nesse filme há um equilibrio entre o herói e os vilões. Se antes Batman conseguia resolver as coisas de maneira quase matemática, dessa vez ele apanha e quase chega perto da morte. Uma coisa que me incomodava no primeiro filme era o fato do Batman não ser um crânio como nos gibis. Falha corrigida agora, Batman nesse filme tem o raciocínio rápido, e não deixa mais 90% das ideias de seus brinquedos para o Fox. E será que Batman vai largar a capa e viver na boa com sua amada? Você tem que ver o filme ora, para saber.

COADJUVANTES

É raro ver em filmes coadjuvantes tão essenciais as cenas como nesse filme. No caso o maior destaque fica por conta do grupo de palhaços do Coringa. Anônimos debaixo de suas máscaras realizaram uma cena que já entrou para a história do cinema.

NOLAN

Poucas são as vezes que o público sabe de cor o nome de um diretor de cinema. Se antes Hitchcock, Spilberg, Tarantino e M.Night, eram uns dos poucos que tinham essa honraria. Hoje pode se pronunciar Nolan para saber de quem estamos falando. Diretor do surpreendente O grande truque, já tinha impressionado até os que não curtem hqs com seu primeiro Batman. Agora com The Dark Knight, ele mudou as coisas para sempre. Thank you, Nolan.

Vídeo para quem ainda não viu o filme:


Vídeo para quem quer matar saudade do filme:

8 Comments:

Blogger looT said...

Que inveja cá estreia esta quinta.

Enquanto não vir o filme não vou ler textos nenhuns, mas depois volto a passar aqui para ver a tua opinião.

8:17 AM  
Anonymous QUEIROZ said...

Valeu Loot, volta mesmo, e fale os spoiler que quiser para a gente discutir o filme.

Falou!!

12:08 AM  
Anonymous Rodrigo said...

Muito interessante seus insights sobre o filme. Gostei da organização, por personagens. E, certamente, se Nolan dirigisse um Gordon Begins eu estaria lá para ver. Na verdade, se Christopher Nolan dirigisse Herbie - O Fusca Atrapalhado, eu certamente estaria na primeira fila. Porque I believe in Christopher Nolan.

9:55 PM  
Anonymous QUEIROZ said...

Obrigado Rodrigo. E é mais fácil Tim Burton dirigir Herbie, já pegou "Alice no país das maravilhas". O que gostaria de ver o Nolan ressulcitando no cinema os contos de Anne Rice, já pensou?

Obrigado de novo e volte sempre.

7:32 PM  
Blogger L.U.W.I.G said...

Antes de tudo, perdão pela demora na resposta de seu comentário lá no blog. Tomei a liberdade de alocá-la aqui:

O filho de Gordon não é o Terry de Batman Beyond, aliás, não há qualquer parentesco entre este e o Comissário. Pelo contrário, o “Batman do Futuro”, como revelado no episódio ‘Epílogo’ de Liga da Justiça Sem Limites, é na verdade fruto de uma manipulação genética muito bem sucedida (com o DNA de Bruce) orquestrada nos bastidores por Amanda Waller. O justo seria dizer que ele é o filho (clone?) do cavaleiro das trevas.

Sobre sua Selina, que imaginação fértil, hã? Ainda assim prefiro a “Selina” que conheço, guardando as mesmas raízes do Ano Um de Miller. Chega de licenças poéticas, hã?

O hiato entre o salvamento de Rachel e a janela de tempo em que os convidados ficaram a mercê do Coringa foi algo que me passou pela cabeça também, mas dane-se, ninguém é perfeito. E quanto às citações ao Ano Dois de Mike W. Barr e o Longo Dia das Bruxas* de Jeph Loeb, confesso que passei batido

(*) A memória me pregou uma peça. A última vez que a li foi justamente à época do lançamento original pela Editora Abril.

Não acho que o que aconteceu nas barcas foi sobre a fé que Bruce guardava sobre seu povo e sim sobre a predominância do bom e velho senso comum. Lógico que nessas horas, normalmente quem grita mais alto é o instinto de auto-preservação, contudo a razão acabou sendo mais imprevisível que o plano do Coringa.

Gostei paca do amálgama ideológico que fez do Coringa de DK, faz muito sentido, muito!

Grande abraço.

9:47 AM  
Anonymous QUEIROZ said...

Pô, Luwig eu jurava que o Batman do futuro era o filho do Gordon. E a Mulher gato ia ser mais legal se fosse uma mulher que tivesse tatuado o próprio rosto, ao invés de uma fantasiada com uma roupa. Só sei que Nolan terá uma idéia melhor que a minha e de Frank Miller. Eu confio bem nisso. E quanto ao amálgama ideológico do Coringa, é uma forma de traduzir mesmo o personagem que me fez lembrar de tantos, até de um de um filme ruim do Tommy Lee Jones, quando ele pede para fazer sua chamada. Mas, a quem simplifique e compare o Coringa com Osama Bin.

Valeu Luwig

7:43 PM  
Blogger Ju*estrela* said...

Não vi ainda... só prá variar. rs*

Saudade de ti Queiroz!
BeiJus*

4:05 PM  
Anonymous QUEIROZ said...

Saudades tb Ju.

Beijos

8:56 PM  

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